terça-feira, 13 de outubro de 2009

'Beco das Crioulas'

quem conhece
um fundo de quintal
sabe do que estou falando
quando dou nome
a um canto
da casa, bem especial,
no qual
planto
assunto de metro
batuque incorreto
jeito ardido
estandarte bendito
verso maldito
língua de fora
gesto de ir embora
ficando
até
sabe o que é
cafungar
nos pitocos
enquanto a parreira
cresce
nasce a bananeira
esbanja a palmeira
no agrado de mão
criadeira
sai pra lá com bandeira
no verde e amarelo
azul e branco
avança o sinal
requebrando as cadeiras
sem despencar
a prece
é azeitar cacareco
antigo
dar brilho de cera
no rastilho
áspero da pasmaceira
rodando à baiana
com chinelo havaiana
um som
de repeteco
entra e sai
da janela
com vitrola
radiola
MP aos três por quatro
no colo aberto
menu da gota
potpourri
de iguarias regionais
estilos
todos aqueles trecos
que só a cultura de boteco
refinado
traz
na rabeira
poposuda
da nega branquela
meu bem
como sanduiche de mortadela
uma cachaça pro santo
mesmo que na dispensa
geladeira
e na adega
descansem
preciosidades
de estatalar paladares
neeeemmm.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Antipenultimas do Papagaio Testamenteiro

O eu sou eu, eu sou o eu

Para a África, um imenso coração bóia salvavidas feito de mãos

Aos diletos vizinhos


continentais


que enfeitam a dor


camuflando-a na cor


das vestais
cobrem o negro da pele


com o barro


dourado do dia aguado
bezuntam o pichainho
com seiva de vegetais oleosos
perfumam o suor
com o que a terra regorgita
nas entranhas sem olhos
cá entre nós


de oceano para oceano
se não nos soltarmos
ao largo
ungidos e unidos
pela bênção da imensidão
não pelo sangue
de qualquer ser vivo
se não respeitarmos
a nossa amada casa
ainda que feita de casca de árvore
a gente não tem chance
não.
Se querem a nossa mão
segurando a vida
que despenca na vertigem
da dimensão
num último perdão
se deem também a redenção
aqui vai um SOS de irmãos:
estamos de prontidão.
Façam o gesto
do capinzinho
que, de repente,
se transforma no valente
cerradão.



chorinho de vela em chama


não é de hoje

que os castiçais


e pedras


choram suas lágrimas


de parafina


toda vez que acendemos


as velas


em chamas magnas


angelicais

sábado, 10 de outubro de 2009

altorrelevo mg/br





o canto do acordar



vem do pássaro




logo cedo




desce a manhã



beirando a Trindade




com revoar




de maracanãs



no perfil serrano




da cidade






o tempo é enredo