sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Donzela do tempo com decote de adobe



Manhã de
Água
Pedra
E vento
Cheia de pose
Cochicha
Seus agrados
No ouvido da serra
Dá cheiro
De capim
Ao pouso
Do bando Maracanã
Capricha
No desfiado
De plantas
Cheias de floreado
Enquanto
Espera
O ardor ensolarado
Da tarde
Com fricote
De tecelã
Quando vem a noite
Enterra
Seu rebolado
frisante
Com recato
De anciã

(15/09/009 15h28 Tiradentes MG)








segunda-feira, 14 de setembro de 2009

pedras de aterramento tiradentino

me fale de pedras
como me falam as pedras
de mão, de terra
de chão
de mato
pasto
sombreadão
pedras de ruas estreitas
encorcorvadas
caminhos tortinhos
beiradas com flor
pedras salgadas
de cerca
plantação
arvoredo
pedras de coração
carreadoras de fardos
escravos
sustentadoras de asas
escorregadias
sustentam correrias
de sabão
dobram esquinas
erguem sonhos
palmilham histórias
pedras doces
porosas
compactas
pedras que roçam fundo de rios
pedras de cor
sem a exata medida
exata
pedra que aninha velas
rabisca abecedário
levanta pé direito
brota em lagoa
santa
tem serventia pra costado
debruça em cachoeira
alicerça a minha natureza

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

o início do início do início

desde ontem
estamos amanhã
no hoje
agora

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

ímpar

Não faço mais o trio
nem fui o solo duo
desculpe, meu uno
chii, desapareci

caminhos tardios em véspera


de passagem

nossa missão eram viagens

de outra monta

fomos margens em branco

em páginas de todos os riscos

potros com laço a nanquim

cascos de quartzo

crinas de polen

trotando no vale

levantavamos nuvens

de poeira crayon

desenhavamos contos

e contrapontos

como tropeiros da fe

um uniperiscopio de esmeralda

na fronte

faroletes instantaneos de ribalta

fomos légua e milhas

- cá estamos,

chegamos,
estranhos.