segunda-feira, 15 de junho de 2009

lápis de cor



é tarde
da noite


passeia o vento


silencioso


o pequeno caminho


de terra


é entrecortado


por um rastro


de capinzinho


a paisagem rural


traz o sombreado


de altivo eucalipal


centenário
um mato
de cheiro
adocicado
faz cócegas
no memorial
cetinoso
da alma
e se
alastra
de
fininho




entranhas uterinas estranhas


ovas

ovo

óvulos

chocas

choco

choque




domingo, 14 de junho de 2009

onde paro, me deparo

herdar a natureza
ou o mundo?
nos lançamos ao futuro
mas, onde ele está?

Barbatana do Planeta, vórtice apocalíptico, deu curto na tomada do mundo

O dia passa zunindo
lá está o alfabeto,
todo em símbolos,
fórmulas, siglas,
equações
- parcial hegemonia
do intelecto.
Zum-zum-zummmmm
bo qui aberto
indo e vindo
o planeta inquieto
põe
à descoberto
fenômenos
de indizível
afonia

a trilha das Mercês com sua vigilante outeira em Tiradentes (MG)

Ao lado, um São Francisco, de ajoelhar
de outro, a benta água,
gargarejos com vinhedos
a 14 graus no quente
só por medo de errar
de endereço...
ou de não acreditar
o suficiente.
Por certo, concluo o credo,
penitente.
Crédula, certamente.