quarta-feira, 3 de junho de 2009

soleira junina


uma xícara de café
quente

sobre a pia da cozinha

vazia

no vaso, um botão de flor
oscilante

meio em pé

vigia a sala

sozinha

janela e porta, escancaram

abertas
o semblante

da paisagem

vizinha

é meia estação
a quatro graus

lua quase cheia
espia o venial

a vela pela metade

ilumina

o santo de devoção
suspenso no mastro
do arraial




terça-feira, 2 de junho de 2009

audição inodora (bemtevi)


arregale os beiços

a língua olfativa

de fora

- vem a cheia

de lua -

maré degustativa

de rua

sopre bem os ouvidos

o que já saiu

ainda

não foi embora...


um leste de mim


um catavento sofismático

ardeia

à beira do portal

enigmático

de clima tropical

segunda-feira, 1 de junho de 2009

à beira do vazio


ver

ti

gi

no

sa



a presença

do acaso,

por acaso,

uma fatalidade


des con cer tante

a ausência







de consistência

na pretensa






eternidade




Ao século XX, os despojos do século XXI (vôo 447)

Estamos em pleno
futuro do pretérito
Correndo alucinadamente
para frente
- mais e mais
nos encontramos
lá atrás
Quanto mais vivemos na
pós-modernidade
mais acompanhamos
nosso féretro
e, acredite,
sem nenhuma
credibilidade...