quinta-feira, 28 de maio de 2009

transcender o mar sem naufragar

oceano,
vasto
oceano,
em teu colo netuniano
me basto
teu talude é casto
teu manto
devasso
- nada mais
profano
que tentar
desvendar
mares -
indizível mar,
vastidão indecifrável
que se alterna
no imensuravel
embebedar-se
de ondas.
Vasta planície
hidrosférica
abissal,
o rebolar de sua espinha
de magma,
num sambinha
cheio de maresia,
inferniza e batisma
o celestial.


(en) fado


ao ressoar do


tim-tim por tim-tim


responda de leve


com reticências


se for um leque


de mínimos detalhes


abane-se desapercebidamente


ao o esmiuçar de repentes


alente-se com


o descobrimento
como se fosse o Seraphim


Se tiver que beber
uma raiz quadrada


ofereça em troca
uma taça de cosseno


se houver caquinhos


seja o todo


ante os segundos


seja o átimo


ante o espelho do não


mostre os caninos do sim


pois, o buraco negro


é um suicida penitente
um belo furo nágua










quarta-feira, 27 de maio de 2009

D'angola


Tenho cria

com fotografia

sou mesmo uma

afinada com a guilhotina

e o obturador

- ainda que sem cor,

cheia dela,

esparramada,

contida,

extertor.

Tanque e espiral

revela-se o expor

de camada fina, fosca,

em brilho,

fixador.

Interrompi o clic

para acionar o olhar

na objetiva,

de perspectiva,

então,

co lo ri da.
Super chic.........




cio da noite

o que há com a lua nova?
o outono já são ventos
o céu já são nuvens
os dias se acorrentam às feras
as noites chocam óvulos

'Kamu alem birdir bizim'

O beco se alastra
com seu gemido de cão
aos poucos contrasta
com uma réstia de chão

Dorme, dorme, em vão
cabe na poça a estrela
seu brilho cintila pagão
a lua recorta e espelha
renovado sermão
com a pontiaguda destra

Cale, cale, a prece
não emudece,
não.