1970
Era a sobremesa oficial de domingo.
A religiosidade procedia à caipirinha de cachaça,
lá pelas 10 h,
enquanto fumegava preguiçosamente na panela um molho farto com tomates italianos.
Carne de frango aos pedaços, direto ao forno com batatas suculentas,
sempre sob temperos :
alho, sal, vinho tinto,cheiro-verde, cebola.
Pela casa, uns ditos cujos dispersos, mas cientes de que a macarronada seria a estrela da mesa. Queijo parmesão ralado na hora e generosamente.
Toda a família reunida na copa, o pai à cabeceira, os demais babando suas mazelas em cada prato, conversas de semana,escola, namoro, cinema, baile, e ele lá com grunhidos , sempre hum e hum a cada comentário , enquanto a alegria era polvilhada em risos de mãe ,
que se divertia .
Era ela quem também assinava a famosa receita doce, sempre a última a sentar-se.
Lá, então, se ia o domingo entediado, redimido pela iguaria.
Bavarois Branco que se compraz de:
250g de açúcar
7 ovos
1/2kg de natas
100g chocolate amargo,
6 folhas de gelatina
2 colheres de sopa de genebra
1 copo de leite
Encontre um recipiente adequado,
lave bem as mãos e treine seus músculos e pulso:
bata as gemas de ovos com a genebra,
com jeito vá adicionando o açúcar até amalgamar a composição.
Derreta a gelatina no leite aquecido, delicadamente para que um entenda o outro e fiquem perfeitamente juntos. Em seguida junte às gemas de ovos.Bata as claras com o mesmo empenho, aerando-as como se esculpisse um castelo de nuves, bata também as natas e misture todos os ingredientes, leve-os a gelar numa linda travessa, digna do melhor champagne.
Neste ponto, mentalize desejos e não conte um a um seus segredos.
Plante-os no jardim. É só respirar fundo.
Desenforme e cubra com o chocolate derretido até salivar, servindo bem frio.
Assim como colocar o chapéu na cabeça,
descansar a bengala na soleira,
retocar o batom,
fazer xixi na floreira
ou tirar caca do nariz.
Fragmentos de uma existência inconformada, abduzida pelas letras e seus sentidos . Um periscópio sideral sob o manto encarnado.(by Lúcsia/ Lúxia e sempre José Riviti)
terça-feira, 26 de maio de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Auto-retrato de pronomes próprios feito à mão
caneta naquim
lápis de cor
grafite de muro
gibi
foto em branco e preto
pá de cal
encruzilhada
de esconjuro
café amargo
passado no coador
de pano
livre-arbítrio
artesanal
coração amador
uníssona em mim mesma
sem clareza
de meus eus
alma impessoal
com a sagrada religiosidade
dos ateus
leio-me no que não li
ao me enganar me dano
ao me danar engano
convicta casual
de impropérios à êsmo
calendário de equívocos
um nu exposto ao avesso
sábado, 23 de maio de 2009
vísceras cerebrais em caimbras documentais /maio 2009
Me ocorreu, agora, em solo brasileiro:
sem cair na cabeceira do campo de pouso.
Cadê o travesseiro?
Repouso .
Piloto. Arrume o prumo.
Tampe a garrafa.
Você, energúmeno.
Acenda a vela de criado-mudo.
Pois, sussurro:
...que isso não sirva de exemplo para outros aliens...
Sou dissidente de Capella.
Dicto presto:
Queimem todas as casas do MS
para que a natureza permaneça,
ilesa,
curativada,
acesa,
VIVA! E VERDE!
Vão assar porco e gado no roleta-russa....
Serve à Sibéria,
ou ao RS.
Lo mismo, para a Amazônia.
Queimem todas as barracas e moquifos, cafofos,
favelas depauperadas
sobre o rio.
Esqueçam o peixe pescado em vara
e abundem nos
carrinhos de lanche
hot-dog, salgadinhos,
lombo de boi,
farinha e farofa,
sifu.
Arranquem obturações de ouro,
da boca, já sem dentes,
desses insurgentes de dna fumbecado,
óculos ray-ban,
piercings, cós-baixo, cds sertanejos,
aqueles calções de copa do mundo de várzea,
que os aborígenes 'locais'
usam para se cobrir cafonamente
enquanto comem macacos, papagaios, tartarugas
ai, são gente...
Queimem
Canoas, sapés, cipós:
Pneus, garrafas pets, tvs
aparelhos de informática,
mapas-mundii,
relógios analógicos,
digitais, estrangeiros, não os estrangeiros:
língua trololó...
- arranquem do planeta
descendentes de darwin,
please!!!!
Sem a santa paciência.
De passagem, os rituais que não dão em nada,
em nome da ciência.
sem cair na cabeceira do campo de pouso.
Cadê o travesseiro?
Repouso .
Piloto. Arrume o prumo.
Tampe a garrafa.
Você, energúmeno.
Acenda a vela de criado-mudo.
Pois, sussurro:
...que isso não sirva de exemplo para outros aliens...
Sou dissidente de Capella.
Dicto presto:
Queimem todas as casas do MS
para que a natureza permaneça,
ilesa,
curativada,
acesa,
VIVA! E VERDE!
Vão assar porco e gado no roleta-russa....
Serve à Sibéria,
ou ao RS.
Lo mismo, para a Amazônia.
Queimem todas as barracas e moquifos, cafofos,
favelas depauperadas
sobre o rio.
Esqueçam o peixe pescado em vara
e abundem nos
carrinhos de lanche
hot-dog, salgadinhos,
lombo de boi,
farinha e farofa,
sifu.
Arranquem obturações de ouro,
da boca, já sem dentes,
desses insurgentes de dna fumbecado,
óculos ray-ban,
piercings, cós-baixo, cds sertanejos,
aqueles calções de copa do mundo de várzea,
que os aborígenes 'locais'
usam para se cobrir cafonamente
enquanto comem macacos, papagaios, tartarugas
ai, são gente...
Queimem
Canoas, sapés, cipós:
Pneus, garrafas pets, tvs
aparelhos de informática,
mapas-mundii,
relógios analógicos,
digitais, estrangeiros, não os estrangeiros:
língua trololó...
- arranquem do planeta
descendentes de darwin,
please!!!!
Sem a santa paciência.
De passagem, os rituais que não dão em nada,
em nome da ciência.
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