terça-feira, 19 de maio de 2009

Cosmopolita da gema podre

Gosto da vida nas grandes cidades:
teatros, shows, espetáculos.
Variedades.
Cultura injetada nas veias
crimes e assaltos
nas avenidas,
palavrões
nas paredes.
Em grafite,
em sangue,
em catarros, em merda.
Tapetes persas,
lenços de seda
turcos,
chás aromáticos árabes.
Restaurantes
de chefs
inusitados,
pratos
indecentes e belos,
paladar
instigante.
Melros,
sabiás,
besouros,
uma fauna em extinção,
que vai à mesa.
Nenhum elo.
Quão refinada é a
cidade da esfera
sideral.
Os tesouros
a céu aberto.
Desde que os lacaios da terra
a mantêm
suprimindo
cada vez mais
as urgências
energúmenas de sapiência
humana:
gasolina,
sangue e
carne de animais,
pastos de rebanhos comíveis,
lenha de florestas
combutíveis,
cobertores
de lã
Aquecedores,
guarda-chuvas,
sombrinhas,
cor-de-rosa e azul.
feminino e masculino.
Basta?
Não.
Desembasta.

Jamais, nunca. Nunca, jamais

Teu céu
não possui véu,
assim como o de ninguém,
também.
Liberte-se da cegueira
livre-se da viseira
deixe de olhar o chão
desvende-se -
saia da prisão.
Jamais diga nunca,
não diga nunca, jamais.

16/04/2007 -13:29 Um naco de gente mastigado pelo vento, lambido pelo tempo

'Bilú-Tetéia'
Sinceramente, me esqueci de que não era apenas um ensaio.
Pensei que V.Sa. fosse se dar ao pequenino trabalhão de assinar as pequenas paginonas com sua própria arte,
aos traços de um cinzel virtual.
Meu horóscopo de hoje me aconselha a não (Ene a ó til!)
entrar em ação bêbada ou drinkosa
ou cheia de firulas na cachola.
O seu diz para resguardar a virgindade.....
Baccio

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mãe Jequitibá

Mora em Vassununga, rente ao céu,
minha outra mãe.
Que abracei uma única vez,
seus três mil anos de idade.
Lá está, elevando-se
sobre o dossel
de seu séquito
qual paridade,
feito prece, não tem. Então, se ainda não a conhece, ao menos agradece e diga amém.

07/02/2004 Hormônios de pura cretinice...

Ave!
Eu vos saúdo com o desmesurado espanto de uma alma.
Façam ao menos um movimento com os dedos e enviem uma mensagem de basta .
É uma questão de quem tem espiritualidade ou não.
Nem imagino tão nobres colegas e conhecidos passeando ao largo de um mundo humano extremamente cruel e sanguinário, habitado por feras e bestas em sua maioria.
Por que piedade desta espécie ignara e vil, a humana (é lógico) como diziam os melhores poetas bêbados e loucos dos anos 60?
Mais loucos estamos nós, porque temos que manter a sobriedade até mesmo entornando garrafas de nétar etílico à base de uvas.
Ainda assim, lá está e aqui jaz toda e qualquer sanidade humana perante atrocidades cotidianas, reportadas às Tvsinhas como folhetins policialescos.
Como se fossem livrinhos de cabeceiras cheios de corpos mutilados, bebês afogados, rostos queimados, membros arrancados, furos na testa, na nuca, na mandíbula, cortes no abdômen, nas costas, mão sem dedos, pés sem unhas, fraturas múltiplas, carros destroçados e casas inundadas. Rios de lama em avenidas, mar de sangue, morros de escombros e sujeira, um horizonte de favelas e sobradinhos decepados.
Para quem ainda não entendeu que arregaçar as mangas não significa arregaçar o planeta, insinceras condolências...