terça-feira, 21 de abril de 2009

Trafos










Escandalosamente a placa sobressaia-se frente ao tecido de alumínio trançado, feito casa de abelha, fazendo-se de muro. A placa, desnuda e cheia de letras dizia: Precisa-se de .... (aí vinha o palavrão para um ser ignorante sem cuecas e com peruca pubiana)... ‘Projetista de Trafos’.
Noite by noite os olhos miravam a mesma súplica: ‘Precisa-se de Projetista de Trafos’. Ao espichar de um semestre de idas e vindas, na mesma calçada bêbada, sem salto alto, ali estava sem batom, mas cruel, o pedido: ‘Precisa-se de Projetista de Trafos’. À beira vertiginosa da Avenida dos Autonomistas, em 1978, pouco escancarada, a Brown Boveri, Osasco, reluzia silenciosamente mato acima. Cadê o projetista? E de que raios é feito o trafos?
Isso mesmo. Até meu pai, falecido, sabia desde 1930: são geradores, ou melhor, transformadores de energia para luz.
De poste em poste, lá vai mais um bêbado sóbrio, de trafos em trafos....


Lounge de Hotel 5 estrelas

....Foi um estrago
A esquina e o poste.
A salvação foi a parede.
Brutalmente ela foi empurrada contra os tijolos.
Uma disse para a outra: Desculpe a má palavra, mas você me lembra a minha cunhada.
E a outra respondeu, antes de agarrá-la e beijá-la: Desculpe o meu mau comportamento, mas você me lembra o que eu adoro fazer na cama...
MMMMHHHHHUUUUÁ....


Mulher ciumenta e bem-humorada

Se essa tal de Larissa aparecer por aqui, corto todos os ‘ésses’ dela e tasco-lhe um bem dado cedilha. Vaca! E vice-versa ou vice-verssa...


Salão de Cabeleireiras Lésbicas

Penteados ao meio, risca de língua, Topetes à base de saliva, Pranchinha labial, Alisamento digital, Depilação manual
Massagem corporal com Wandona, mestre em fricção pubiana e tète-a-tète.


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Feche os olhos e leia com a mente





Ainda na cozinha , a pé da lenha queimando, com fervuras sobre as brasas enlouquecidas, uma chávena de ervas soltando fumaça, pão macio , partido grosseiramente pelos dedos grossos do Idoso Sábio, com unhas arredondadas e um pouco amarelecidas. A pele muito fina, deixava transparecer as veias azuladas. O ambiente, iluminado pelas velas, era quente e aconchegante. Lá fora, na charneca,a neve caia silenciosamente respingando a noite.

Antes que as baleias devorem as pizzas

Feche os olhos e leia com a mente de narinas auditivas:

Ainda na cozinha , a pé da lenha queimando, com fervuras sobre as brasas enlouquecidas, uma chávena de ervas soltando fumaça, pão macio , partido grosseiramente pelos dedos grossos do Idoso Sábio, com unhas arredondadas e um pouco amarelecidas. A pele muito fina, deixava transparecer as veias azuladas. O ambiente, iluminado pelas velas, era quente e aconchegante. Lá fora, na charneca,a neve caia silenciosamente. (to Hivich , ainda...)


(inacabado e a continuar futuramente, quando houver pizzaiolos aquáticos...)

domingo, 19 de abril de 2009

Psitacídeos


Voam ao lerdo, asas em sustentação, avançam reles ao espaço, estabanados, soberbos e alegres, longe do chão, vestem o ar à sua passagem: de verde, vermelho,azul, preto e abóbora, tudo em algazarra e gritaria. Confusão. Bicos e unhas fecham e agarram feito alicates, rasgam e ferem sem a menor cerimônia. Elegantes, arrancam cascas de castanhas, frutas, sementes. Não é incomum vê-los sondar silenciosamente o infinito, às vezes prolongadamente. Cismam com o horizonte, ouvindo o que não sabemos. Insônia.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

À luz do dia-Primeiro ato e meio

Na abadia
À luz do dia
Uma jarra de água resfria
Sob um dos arcos
Que tal ajuste
Media
Exatamente
Dois noviços
Em seu
Primeiro
Dia.

Para assistir aos ofícios
Se pedia
Silêncio e respeito
Mais a oração
Que se anuncia
E de todo jeito
Um mistério se pronuncia.